Exposição e talk - TEDx Floripa 2017

Como em uma revelação fotográfica em laboratório, dessas que já não se faz tanto, Sharlene foi se revelando para si própria e para o mundo em camadas. Primeiro designer quando estudava, depois fotógrafa quando passou a dar aulas, depois uma observadora do mundo, quando viajou à Índia e se conheceu melhor. Hoje compartilha as experiências que vê com seu olhar sensível buscando revelar camadas das pessoas que vão além dos estereótipos.

Fonte: http://www.tedxfloripa.com.br/2017/

Prêmio de menciones honoríficas Mujeres fotógrafas de Latinoamérica.

Me descobri fotógrafa aos 28 anos após começar a dar aula de Fotografia para o curso de Graduação em Design. Hoje vivo entre não me definir apenas como designer, nem fotógrafa, nem professora e tenho me tornando uma coisa só, aquela que observa o mundo e através do meu trabalho tento compartilhar as experiências do que vejo.
Por ter como uma das minhas grandes paixões viajar, comecei a me interessar por fotografia de retrato de rua e passei a capturar melhor os olhares e os pequenos detalhes das pessoas que tenho fotografado, pois viajar para mim é uma maneira de voltar para casa, que é dentro de si e assim pode fazer do mundo o seu próprio quintal.
Uma das minhas séries fotográficas que mais me define foi realizada na Índia, onde percorri o caminho pela busca do autoconhecimento. Após essa viagem, percebi que o olhar que tinha sobre mim mesma havia mudado e isso fez uma grande diferença nas minhas fotos, pois ao mudar minha visão interior alterei minha percepção do mundo, transformando até mesmo aquilo que é triste, como uma criança pedindo esmola, em algo belo.
A partir daí decidi que seria fotógrafa e que mostraria as pessoas algo que nem todos conseguem vê. Passei a querer buscar não poses, mas olhares sinceros de pessoas comuns que vivem da sua maneira, mesmo que as vezes precárias, mas que mostram a realidade dos lugares que habitam.
A menina indiana foi fotografada após um passeio de ônibus com um grupo de turistas brasileiros que estavam conhecendo Nova Delhi, capital da Índia. Em meu banco confortável e com um ambiente climatizado, questionei-me sobre a desigualdade social que ainda existem em vários países. A menina que no momento estava a pedir esmola fez com que minha viajem se tornasse uma grande escola. A cada passo, uma descoberta sobre essa cultura tão rica e esse povo, muitas vezes com uma vida difícil, que consegue sorrir em meio a pobreza extrema. Desde então, eu nunca mais esqueci o olhar lançado por aquela linda menina vestida com trajes indianos. Afinal, fotografar é capturar a alma por meio do olhar.”

Veja a revistas e as demais ganhadoras: http://revistavisor.com.mx/convocatoria-mujeres-fotografas-latinoamerica#1501645680006-0981dd46-4f25